O ensino híbrido

O ensino híbrido une dois momentos de aprendizado dos alunos: o momento off-line, em sala de aula, e o momento on-line, em casa. Na prática, o conceito já é adotado por muitos alunos, independentemente da orientação do professor. Como integrar os dois momentos e manter a continuidade da aprendizagem? O estridente sinal toca. Eufóricos e […]

SM Educação
30 de julho de 2019
O ensino híbrido une dois momentos de aprendizado dos alunos: o momento off-line, em sala de aula, e o momento on-line, em casa. Na prática, o conceito já é adotado por muitos alunos, independentemente da orientação do professor. Como integrar os dois momentos e manter a continuidade da aprendizagem?

O estridente sinal toca. Eufóricos e falantes, os alunos andam pelos corredores em direção às suas salas. Sentam-se enfileirados, prontos para ouvir seus professores durante quatro horas.

Opa! Tirando a parte do “eufóricos e falantes”, já que isso é esperado dos jovens, e bem-vindo, alguém aí imagina ser possível que a descrição acima ainda traga bons resultados em uma sala de aula? Tenho certeza de que não. Nossos jo­vens continuam entrando falantes nas salas, mas já sabemos que a escola não mais é um es­paço que eles frequentam para apenas ouvir e reproduzir informações. Não cabe à escola ser para o aluno simplesmente o local de acesso a conteúdo, mas o meio de desenvolver a compe­tência de valorizar e utilizar os conhecimentos que foram produzidos ao longo de nossa histó­ria, de modo que o estudante seja capaz de criar novas soluções para as situações-problema que enfrentará em seu cotidiano.

Desta forma, a escola passa de um lugar de es­cuta e armazenamento de informações para um ambiente de troca e diálogo, ampliando seu espaço físico, suas discussões e seu tempo por meio das novas tecnologias. A sala de aula não mais é o retângulo com fileiras, e a aula não dura mais cinquenta minutos. Tudo vai além dos mu­ros da escola.

Os alunos chegam em casa e continuam conver­sando com os amigos pelas redes sociais, a turma da classe continua reunida, as tarefas continuam sendo discutidas, os conflitos e as brincadeiras sempre presentes. Na hora de estudar, muitos recorrem a videoaulas em sites de pesquisa para entender melhor o conteúdo, buscam tutoriais e outros recursos. É a composição entre o cader­no, o livro e o conteúdo virtual.

Sem que o professor note, o ensino híbrido já está presente em sua sala de aula. O conceito de ensino híbrido é uma metodologia em que mesclamos o momento on-line, no qual o alu­no estuda sozinho por meio de uma plataforma, com a utilização da internet, e o momento off­-line, feito em grupos, com o professor, em sala. Na prática, o conceito já é adotado por muitos alunos, independentemente da orientação do professor.

No momento on-line, a responsabilidade de controle de tempo de estudo, organização e execução das tarefas, entregas das metas e de­finição dos métodos de estudo serão de intei­ra responsabilidade do aluno. Fazem-se valer a pesquisa e o estudo individuais.

Em sala, cabe ao docente buscar estratégias va­riadas para integrar os alunos e seus momentos diferentes de aprendizagens, criando oportuni­dades de discussões e compartilhamento de in­formações para enriquecer seus saberes e cons­truções. Fazem-se valer as relações de trocas.

O ensino híbrido é a possibilidade da integração da tecnologia, da construção da autonomia, da independência e, ao mesmo tempo, das ideias. É a união do virtual com o real na formação do conhecimento.

Para que realmente exista a continuidade dos momentos on-line e off-line, é importante que o docente tenha definido a integração entre esses dois momentos.

Vejam duas sugestões interessantes para esses momen­tos:

• Estações temáticas (grupos ou individuais): os grupos serão responsáveis por estudar de­terminados assuntos e deverão participar de estações de discussões. Cabe ao docente pre­parar as estações com materiais e laboratórios, e os alunos terão que circular, executar as ta­refas e participar de discussões, ampliando as pesquisas e os resultados, direcionados ao que estão focados.

• Sala de aula invertida: os alunos se prepa­ram para os conceitos que serão estudados. Em sala, abre-se o debate. Amplia-se o estudo pós-debate.


Sobre a autora | Profª Mª Tatiana Pita

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Pres­biteriana Mackenzie. Especialização em Psicopedago­gia, UNIP. Mestre em Educação pelo programa História, Política e Sociedade, PUC-SP. Doutoranda no programa de Tecnologia da Inteligência e Design Digital, pela PUC­-SP. Professora da graduação do curso de Pedagogia e da pós-graduação das áreas de Educação. Coordenou o cur­so de Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Métodos e Técnicas de Ensino. Atua como contadora de histórias (eventos e formação). Assessora pedagógica e supervisora em Editoras, com experiência na formação de professores nas redes pública e privada, treinamento de equipe co­mercial e produção de materiais didáticos.

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