O que é CLIL e por que é relevante para escolas bilíngues?

Ao longo da história do ensino de línguas, diferentes metodologias ou abordagens são propostas e desenvolvidas com o objetivo de tornar o aprendizado de línguas adicionais mais rápido e sobretudo mais eficiente. Essas preocupações tornaram-se cada vez mais visíveis a partir dos anos 90 com a intensificação do fenômeno da globalização. Um mundo com mais […]

SM Educação
26 de maio de 2020

Ao longo da história do ensino de línguas, diferentes metodologias ou abordagens são propostas e desenvolvidas com o objetivo de tornar o aprendizado de línguas adicionais mais rápido e sobretudo mais eficiente.

Essas preocupações tornaram-se cada vez mais visíveis a partir dos anos 90 com a intensificação do fenômeno da globalização. Um mundo com mais mobilidade e integração, além de exercer influência no plano econômico, também o faz no educacional, uma vez que os indivíduos precisam estar aptos a atuar em contextos os mais diversos. Muitos pais e instituições de ensino veem na educação bilíngue uma opção de endereçar essas questões, já que de maneira ampla, essa possibilidade de educação visa a uma formação mais integral do aluno.

A educação bilíngue vai muito além do ensino de uma língua adicional, portanto não deve ser compreendida como uma metodologia ou abordagem para o ensino de línguas, mas como uma proposta educacional com várias dimensões (dentre elas a linguística) e que faz uso de diferentes metodologias e abordagens para atingir seus objetivos. Nesse artigo, trataremos de umas dessas abordagens, o CLIL.

O que é CLIL?

O termo CLIL (Content and Language Integrated Learning), não coincidentemente, foi cunhado na década de 90, para definir uma abordagem que tem por objetivo o ensino de um determinado conteúdo (como história, geografia, ciências etc.) através de uma língua adicional. Diferente de outras abordagens, nessa perspectiva o ensino da língua adicional não deve ser entendido como seu objetivo último, mas como uma ferramenta, através do qual conteúdos diversos serão aprendidos, incluindo a língua.

O termo CLIL não é sinônimo direto de educação bilíngue, uma vez que, como foi apontado anteriormente, propostas bilíngues lançam mão de diferentes abordagens, dentre elas, e de maneira proveitosa, o CLIL. Além disso, momentos de CLIL podem surgir, por exemplo, em um contexto de uma aula com uma abordagem comunicativa que tem por objetivo principal o ensino de inglês como língua estrangeira. Em um contexto de educação bilíngue, no entanto, o uso do CLIL é mais ostensivo.

Diferentes modelos do CLIL partem dos conceitos dos 4Cs que funcionam como pilares para sua implementação: Conteúdo, Comunicação, Cognição e Cultura. Por conteúdo, entende-se a matéria (artes, matemática etc.) ao redor da qual a aula será planejada; comunicação diz respeito à língua adicional utilizada ( é importante que o nível de inglês utilizado seja graduado de modo que o aluno dê conta do conteúdo da disciplina que está sendo apresentado); cognição foca nos processos de ensino e aprendizagem que privilegiam o desenvolvimento de um pensamento crítico, e por conseguinte a formação de um aluno agente; por fim, e talvez o mais importante, a cultura visa trazer para o ambiente escolar o desenvolvimento de uma consciência intercultural com vistas à formação de uma cidadania global.

Relevância para o aluno

Num contexto no qual o CLIL é implementado, o estudo da cultura tende a ocorrer de maneira mais aprofundada, deixando de ser apenas um acessório ou até mesmo uma curiosidade, como ocorre em algumas aulas de língua. A partir de uma consciência cultural, espera-se que o aluno chegue a um entendimento intercultural, incluindo aí uma melhor percepção da sua própria cultura e do seu lugar no mundo. Essa perspectiva de um entendimento intercultural e de elementos de diversidade são essenciais, tendo em vista que apenas o domínio de uma língua adicional não é garantia de uma atuação comunicativa eficiente em determinados contextos.

Por conta de inúmeras práticas sociais que envolvem o uso de diferentes ferramentas tecnológicas, os alunos de hoje têm desenvolvido cada vez mais um tipo de aprendizado que ocorre em concomitância com o fazer, eles aprendem enquanto fazem algo, diferente de algumas gerações anteriores que primeiro aprendiam para depois fazer.

Pois bem, essa nova forma de aprender encontra eco nas aulas de CLIL, já que nessa abordagem a execução de projetos e tarefas reais é uma constante, e para que essas atividades concretas ocorram, a língua adicional é usada de forma significativa. O aluno aprende o inglês à medida que aprende a como organizar uma atividade para sua comunidade local, por exemplo. Todos esses elementos contribuem para uma percepção de uma língua autêntica, corroborando assim para a motivação dos alunos em aprender uma outra língua.

Uma vez que alia aprendizado linguístico ao desenvolvimento de conteúdos diversos, o aluno que tem contato com o CLIL desenvolve mais naturalmente uma linguagem acadêmica e domínio de seus gêneros. A apresentação de projetos, pôsteres, relatórios (mesmo que simplificados) e apresentações orais faz parte da rotina do aluno, observando sempre, obviamente, seu desenvolvimento cognitivo.

Relevância para o professor

Para aqueles professores que estão enveredando pelos caminhos da educação bilíngue, trabalhar com CLIL mostra-se uma vantagem uma vez que seus modelos já foram amplamente testados, seus suportes teóricos e pedagógicos são bastante consolidados e vários materiais didáticos já trazem aulas e sequências didáticas que tomam o CLIL como norteador. Esses pontos trazem segurança e praticidade para a vida daqueles que vão entrar em sala de aula.

É importante relembrar que a implementação do CLIL não se restringe a contextos de ensino bilíngue, nem a um segmento específico. Podemos ter aulas baseadas no CLIL do infantil ao ensino universitário; em escolas regulares ou cursos de língua, em maior ou menor grau. Assim, o domínio dessa abordagem possibilita ao professor expandir seu repertório de estratégias com vistas ao desenvolvimento de aulas cada vez mais eficientes, em contextos os mais variados.

Sentir-se confortável com CLIL contribui ainda para o desenvolvimento profissional do professor. Essa é mais uma ferramenta que o professor tem a sua disposição, não só para melhor atuar em contextos já conhecidos, como para se lançar em novos projetos.

Relevância para a instituição

As propostas de educação bilíngue se concretizam de diversas maneiras no cenário brasileiro. Há escolas que oferecem a maioria de suas disciplinas, com exceção da língua materna, em língua adicional; há escolas que selecionam apenas algumas disciplinas para serem lecionadas em língua adicional; em algumas escolas isso ocorre no período regular de aulas; em outras, no contraturno.

Os formatos são distintos e visam a atender objetivos diversos. Uma das vantagens de se usar o CLIL é que essa abordagem é bastante flexível e oferece modelos variados; até mesmo o equilíbrio entre ensino de conteúdo e ensino da língua vai se adequar às prioridades de uma determinada comunidade.

Muitos países europeus, asiáticos e também nas américas utilizam o CLIL em suas propostas de políticas públicas para o desenvolvimento do bilinguismo. No Brasil, a comunidade de teóricos, estudiosos, professores e gestores que trabalham com educação bilíngue validam o CLIL como uma abordagem que se adequa aos propósitos desse tipo de educação.

Pelo que foi exposto, certamente, essa abordagem trará inúmeros benefícios na implementação do seu projeto bilíngue!

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