O trabalho com projetos no Ensino Médio: Cultura Maker e a Educação

A proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Médio incentiva a escola a atender as ne­cessidades da nova geração de alunos. Saiba como o trabalho voltado para projetos, aplicado à estratégia de Cultura Maker, pode contribuir para aulas mais instigantes. Antes de começarmos nossa conversa pedagógica, quem é o jovem que está […]

SM Educação
30 de julho de 2019
A proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Médio incentiva a escola a atender as ne­cessidades da nova geração de alunos. Saiba como o trabalho voltado para projetos, aplicado à estratégia de Cultura Maker, pode contribuir para aulas mais instigantes.

Antes de começarmos nossa conversa pedagógica, quem é o jovem que está no Ensino Médio?

Todos nós lembramos da fase em que fre­quentamos o Ensino Médio: mudanças físicas, confusão de sentimentos e emoções, decisões profissionais a serem tomadas, novas respon­sabilidades em conflito com o desejo de ainda querermos apenas nos divertir. O tempo passou, o novo século chegou, um mundo novo cheio de recursos tecnológicos se apresentou, mas uma coisa não mudou: as sensações que vivemos no Ensino Médio.

Porém, com o fenômeno da tecnologia, a neces­sidade de estarmos presentes tanto no mundo real como no virtual, com a velocidade com que produzimos conteúdos, essas emoções são po­tencializadas e, para alguns, nem sempre são bem administradas. Mas esta é uma conversa para outro artigo, para podermos dar a devida importância e ênfase à discussão.

Muitos professores me falam que acham esta juventude mais apática, sempre “com a cabeça baixa, mergulhada em seus celulares”, sem pres­tar atenção no mundo real. Ao serem chamados para realidade, geralmente os alunos executam as tarefas de modo rápido e sem muito cuida­do, apenas para cumprir o que foi pedido. E, com esta descrição, desesperados me dizem: “como podemos chamar atenção desta juventude? ”

Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio, nossa tarefa, hoje, com estes jovens que vivem mergulhados no mundo virtual, caminhando no mundo real, cheios de incertezas e com suas emoções potencializadas pela exposição em que vivem, deve ser:

“Considerar que há muitas juventudes implica organizar uma escola que acolha as diversidades, promovendo, de modo in­tencional e permanente, o respeito à pes­soa humana e aos seus direitos. E mais, que garanta aos estudantes ser protago­nistas de seu próprio processo de escola­rização, reconhecendo-os como interlo­cutores legítimos sobre currículo, ensino e aprendizagem. Significa, nesse sentido, assegurar-lhes uma formação que, em sintonia com seus percursos e histórias, permita-lhes definir seu projeto de vida, tanto no que diz respeito ao estudo e ao trabalho como também no que concerne às escolhas de estilos de vida saudáveis, sustentáveis e éticos. ”

(BNCC – pág. 463)

O jovem deve ser convidado a resolver desa­fios e situações-problema, criando, usando tecnologia, inovação, conceitos e processos adquiridos por meio dos componentes curri­culares, para que esteja preparado para o que enfrentará em sua vida. Deve saber planejar, estabelecer metas, empreender, elaborar pla­nilhas de custos, analisar variáveis, trabalhar em equipe, pensar a curto, médio e longo pra­zo. Deve ser protagonista de seu processo de aprendizagem.

Projetos e Cultura Maker: levando inovação e criação para a escola

Ao lermos a proposta que nos traz a BNCC para o Ensino Médio e, principalmente, o que nos pede o mundo hoje para atender às ne­cessidades desta nova geração, devemos bus­car para atividades com os jovens do Ensino Médio o trabalho voltado para projetos.

Com este foco, trouxe para compartilhar com vocês uma estratégia inovadora que muitas escolas já estão utilizando: a Cultura Maker.

Maker significa a ideia de “faça por si”, “faze­dor”, “faça por si mesmo”. É a cultura de que qualquer pessoa comum é capaz de construir, consertar, criar, inovar, modificar ou fabricar o que sentir necessidade.

Podemos dizer que a Cultura Maker possui quatro pilares:

• Criatividade: tudo é possível ser criado, in­ventado, transformado, modificado.

• Colaboração: o trabalho deve ocorrer em grupo, presencial ou virtual. A capacidade de troca é a grande ferramenta a ser utilizada.

• Sustentabilidade: toda solução deve ter o olhar para as questões sustentáveis e am­bientais.

• Escalabilidade: o que se produz deve ser possível fazer de modo escalonado.

Com este olhar, trazer a proposta da Cultura Maker para a escola é propor uma estratégia de trabalho por meio de projetos que colabo­ram para o desenvolvimento das competên­cias estabelecidas pela BNCC para formação integral do sujeito, ao longo da educação bá­sica. O perfil maker é de alguém com visão inovadora, que sabe se comunicar em rede, argumentar, lidar com tecnologias, tem pos­tura de pesquisador, é criativo, usa os conhe­cimentos e os processos a favor de seus pro­jetos, tem foco, autogestão, olhar de empatia e colaboração.

Mas isto, aparentemente, não é fácil. Para muitos, além de complicado pedagogicamen­te, ainda parece caro, pois a ideia de labora­tórios makers nos remete a impressoras 3D, cortadoras e ferramentas de última geração. Na verdade, o custo de tudo isso já baixou muito e hoje o investimento é bem mais baixo para as escolas. Além disso, podemos implan­tar a concepção da Cultura Maker em nossas escolas, com ferramentas mais simples e mais acessíveis, se nosso orçamento for restrito.

Mais significativo e valioso do que possuirmos um laboratório sofisticado com uma impres­sora 3D será termos interiorizado o conceito dos pilares de um maker em nossos alunos, e eles serem capazes de criar soluções, por meio de projetos e peças construídas por eles mes­mos, para problemas do cotidiano.

Há vários cases de escolas públicas e particu­lares em nosso país, que desenvolveram exce­lentes projetos e conseguiram ótimos resulta­dos com a implantação dessa estratégia em sua rotina. Conheça alguns:

http://infograficos.estadao.com.br/e/focas/movimento-maker/cultura-maker-e-coadjuvante-nas-escolas.php (último acesso 03/06/19)

Passos para criação de um projeto maker
  • 1. Introdução: esta é a hora do brainstorming. Qual será minha ideia? O que desejo fazer? Liste várias possibilidades. Vamos testar?
  • 2. Experimentação: hora de organizar meu plano e colocar “pra andar”. Quais ideias escolher ou qual ideia? Como fazer isso? Qual problema quero resolver? Não faço a menor ideia do que fazer, quem me ajuda?
  • 3. Prototipagem: momento de fazer e criar. Hora de administrar recursos, falhas, problemas, situações que possam surgir, rever cronograma, planejar passos, fazer escolhas.
  • 4. Integrando o feedback: hora de compartilhar nossos trabalhos, impressões, os processos criativos pelos quais passamos.

Sobre a autora | Profª Mª Tatiana Pita

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Pres­biteriana Mackenzie. Especialização em Psicopedago­gia, UNIP. Mestre em Educação pelo programa História, Política e Sociedade, PUC-SP. Doutoranda no programa de Tecnologia da Inteligência e Design Digital, pela PUC­-SP. Professora da graduação do curso de Pedagogia e da pós-graduação das áreas de Educação. Coordenou o cur­so de Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Métodos e Técnicas de Ensino. Atua como contadora de histórias (eventos e formação). Assessora pedagógica e supervisora em Editoras, com experiência na formação de professores nas redes pública e privada, treinamento de equipe co­mercial e produção de materiais didáticos.

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