Um olhar interdisciplinar: integrando saberes para promover descobertas

A interdisciplinaridade é um caminho para integrar o conhecimento e ajuda a desenvolver alunos de uma geração dinâmica, curiosa e questionadora. Vivemos em um mundo plural e tecnológico, que nos apresenta uma variação de informa­ções e possibilidades. Aprender a pesquisar, a conviver respeitosamente com opiniões diver­sas, analisar cenários, selecionar fontes e infor­mações seguras são algumas […]

SM Educação
30 de julho de 2019

A interdisciplinaridade é um caminho para integrar o conhecimento e ajuda a desenvolver alunos de uma geração dinâmica, curiosa e questionadora.

Vivemos em um mundo plural e tecnológico, que nos apresenta uma variação de informa­ções e possibilidades. Aprender a pesquisar, a conviver respeitosamente com opiniões diver­sas, analisar cenários, selecionar fontes e infor­mações seguras são algumas das habilidades necessárias para interagir de modo positivo em nossa sociedade hoje.

O conhecimento torna-se significativo quando utilizado para criar possibilidades para soluções de situações-problema de nosso cotidiano. Olhar para o meio e para o outro com empatia e responsabilidade.

As crianças da geração alpha (nascidas a par­tir de 2010) são curiosas, lidam com a tecno­logia de modo natural e desejam ser empre­endedoras. O espaço escolar, atento às mudanças de nos­sa sociedade, deve propor inovações metodo­lógicas para garantir o pleno desenvolvimento de crianças e jovens.

Pensar a apresentação dos conteúdos é um dos primeiros pontos a serem revistos pela escola. O estudo fragmentado dos conteúdos e das disciplinas não garante um aprendizado real e significativo. Já a interação entre os saberes, sim. Somos produtores de história, modificamos o ambiente em que estamos inseridos, de modo positivo ou negativo, interagimos com o meio e com o outro, utilizando múltiplas linguagens.

A escola deve ser um espaço em que o estu­dante aprenda a perguntar (olhar científico, crí­tico e criativo), buscar informações, conhecer processos, desenvolver senso estético, argu­mentar, comunicar ideias e ser capaz de resol­ver situações-problema, aplicando aquilo que aprendeu. Ou seja, a instituição de ensino deve oferecer um ambiente propício para a criança e oferecer a possibilidade de desenvolver suas competências descritas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A interdisciplinaridade é um dos caminhos para que possamos renovar o trabalho no espaço escolar. Mas para isso acontecer é preciso romper com a segmentação dos conteúdos e modificar a maneira como se ensina. Isso começa com o modo de pensar e planejar a aula.

(…) para seguir por esse caminho, o problema não é bem abrir as fronteiras entre as disciplinas, mas transformar o que gera es­sas fronteiras: os princípios organizadores do conhecimento. (MORIN, 2002b, p. 24-25).

Algumas sugestões podem ajudar nessa tarefa:

• Ao iniciar o planejamento, o interessante é ver os conteúdos a serem trabalhados pelas áreas e identificar quais os pontos comuns que já es­tão sendo desenvolvidos. Isso ajudará a pen­sar em uma pergunta inicial comum.

• Começar o período (bimestre ou trimestre) com uma pergunta comum, por meio da qual os alunos percebam a necessidade de buscar caminhos diversos para sua resolução, que envolva diferentes áreas do conhecimento.

• Propor, ao final do período (bimestre ou tri­mestre), uma situação-problema em que os alunos busquem nas áreas do conhecimento ferramentas para criar uma solução e respon­dê-la (tendo a pergunta-chave como caminho).

• Ter claro que cada área do conhecimento de­verá elaborar seus conteúdos para desenvol­ver as habilidades propostas. Aqui nos refe­rimos à interligação dos saberes, de maneira que fique claro para o aluno que o conheci­mento adquirido em cada área só fará sentido com um olhar global, interdisciplinar.

• Escolher materiais didáticos em que essa li­gação interdisciplinar seja clara, por meio de atividades, discussões, variações de textos.

• Optar por estratégias e materiais que contri­buam para que os alunos percebam a interli­gação das áreas.

• Propor sempre discussões em que os alunos precisem utilizar ferramentas que já estão utilizando em outras áreas do conhecimento.

• Nos segmentos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, propor sempre um momento de troca entre os professores para que pos­sam planejar suas aulas de modo a dar conti­nuidade e estabelecer ligação entre os conte­údos que estão sendo propostos.

• Buscar exemplos, discussões, textos e con­textos em que os alunos percebam sempre a interligação das áreas na fala do professor, vendo que o aprendizado não é algo isolado do real.

• Levar para a aula “boas perguntas” para que os alunos deem respostas inusitadas e sejam capazes de analisar cenários e possibilidades para a resolução das situações apresentadas. Que este seja um hábito em sala: a curiosidade.

“O processo é circular, passando da sepa­ração à ligação, da ligação à separação, e, além disso, da análise à síntese, da síntese à análise. Ou seja: o conhecimento compor­ta, ao mesmo tempo, separação e ligação, análise e síntese. ” (MORIN, 2002b, p. 24)

O sucesso de uma aula que propõe um olhar in­terdisciplinar está no planejamento, no diálogo, nas estratégias integradoras e na disposição para o novo, não eliminando as áreas do co­nhecimento, mas integrando seus conteúdos e contribuições.

Referências bibliográficas

FAZENDA, Ivani C. A. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. 14a ed. Campinas: Papirus, 2007.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Trad.: Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. São Paulo: Cor­tez, 2000.

____________ A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Trad.: Eloá Jacobina. 7a ed. Rio de Janeiro: Bertrand Bra­sil, 2002b.

Sobre a autora | Profª Mª Tatiana Pita

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Pres­biteriana Mackenzie. Especialização em Psicopedago­gia, UNIP. Mestre em Educação pelo programa História, Política e Sociedade, PUC-SP. Doutoranda no programa de Tecnologia da Inteligência e Design Digital, pela PUC­-SP. Professora da graduação do curso de Pedagogia e da pós-graduação das áreas de Educação. Coordenou o cur­so de Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Métodos e Técnicas de Ensino. Atua como contadora de histórias (eventos e formação). Assessora pedagógica e supervisora em Editoras, com experiência na formação de professores nas redes pública e privada, treinamento de equipe co­mercial e produção de materiais didáticos.

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